A viola de arame é um cordofone descendente das violas portuguesas (viola beiroa, viola campaniça, viola braguesa, viola amarantina, viola toeira).
Tem, no entanto, nas suas irmãs Açoreanas (viola da terra - 12 cordas, ilha de São Miguel; viola da terceira - 15 cordas, ilha da Terceira e Viola da Terceira -18 cordas, popularizada na mesma Ilha daquela Região Autónoma) as suas parentes mais próximas, sendo todas estas conhecidas por violas de arame.
Diferencia-se, porém, das demais, por ter escala sobreposta ao tampo e não rasa como aquelas.
O seu nome adevem do facto de, na sua armação (encordoamento), as cordas serem construídas de arame, (vulgarmente fios de latão).
Esta viola era, outrora, muito usada pelos foliões populares em festas e folguedos, no acompanhamento do charamba (cantiga de raiz popular da Madeira e Porto Santo). No entanto, e com o andar dos tempos, os tocadores mais experimentados e com gosto pela exploração completa deste cordofone de som maravilhoso e harmónico, conclui-se que presta-se também para acompanhar outros tipos de cantigas tão populares quanto vulgares na Região Autónoma da Madeira.
A forma de tocar este instrumento é a mesma utilizada para tocar o rajão e o braguinha, podendo ser tocada de ponteado ou em acompanhamento, ficando tal tarefa ao sabor da intuição e/ou da função do tocador.
Tem, na sua constituição, 14 trastes, 87 cm no total do comprimento, 42,5 cm no comprimento da caixa harmónica e 27 na largura máxima dessa caixa.
Sua construção/estrutura:
O rajão, o braguinha e a viola de arame, são constituídos por:
Estrutura interior: onde se salienta: o bloco superior, o bloco inferior, e as travessas (que na viola de arame é também conhecida por leque)
Caixa acústica: constituída pelo tampo superior harmónico, tampo inferior harmónico, ilhargas e cinta.
Braço: construído em madeira dura, é onde assenta a escala que, por sua, vez é construída em madeira branda e laça, tendo também na extremidade superior assente as chaves de afinação ou cravelhas.
Escala: que tem incluso os trastes.
Cavalete: esta parte do instrumento está presa ao tampo superior harmónico e é o local onde se prendem as cordas.
No tampo superior harmónico: pinho branco (ou spruce) e pinho de flandres, por serem madeiras brandas e com grande capacidade de propagação do som harmónico.
No tampo inferior harmónico: cedro, mogno, pau santo, til, vinhático, nogueira, plátano e/ou outras.
Nas ilhargas da caixa sonora: poderão ser usadas as mesmas que estão enumeradas para a construção do tampo inferior harmónico.
No braço: na construção do braço usa-se, por norma, uma madeira branda.
As mais usuais são: mogno, tola, castanho, cedro, nogueira.
Na escala: é na escala que são executados os acordes ou ponteados, feitos normalmente com a mão esquerda que, por sua, vez coordenada com a direita, dá a melodia ou som da música a interpretar. Como tal é visto haver uma forte pressão entre os dedos da mão, pisando as cordas, contra a madeira da escala, a mesma deverá ser sempre construída numa madeira branda e laça (utiliza-se muito o til preto), de modo a que a mesma não fique com irregularidades provocadas pela execução dos ponteados e acordes.
Nos embutidos: os embutidos, que por vezes têm alguns instrumentos, não lhe alteram as características ao nível do som, servindo de protecção ao tampo superior harmónico e também de embelezamento dos mesmos, encarecendo-os, sem dúvida, visto ser necessária muita mão - de obra para a execução dos mesmos. O til, o perado e o buxo, são as madeiras mais utilizadas.
No cavalete: o cavalete deverá ser construído com mesmo tipo e cor de madeira utilizada na escala: madeira muito rija, visto o mesmo ter de suportar a grande parte da afinação do instrumento. Na sua parte superior, assenta a pestana que, por sua vez, é constituída em osso, por onde passam as cordas, depois de serem afixadas, nos suportes.